Confesso que não sou grande apreciador de chocolate. Se para muitos – nomeadamente as senhoras - é o fruto proibido e ao mesmo tempo o mais apetecido, comigo o mesmo não se passa.
Mas na passada sexta-feira descobri que afinal o “Chocolate” é de facto um tranquilizador, um modo de nos abstrairmos dos nossos problemas e durante alguns momentos saborearmos o que de melhor a vida nos dá.
Falo-vos não de chocolate comestível, mas de outro tipo de “Chocolate” bem mais saudável e recomendável. Falo-vos do novo CD de Maria João e Mário Laginha que se intitula “Chocolate”.
Quando comprei os bilhetes para ir assistir ao espectáculo de apresentação do CD, não sabia bem ao que ia. De facto, não sou um grande conhecedor de música jazz portuguesa. Contudo, já me tinham recomendado vivamente ouvir o ”Chocolate”. Foi o que fiz, em pleno CCB com casa cheia e cinco artistas deslumbrantes no palco.
Fiquei extasiado. O dedilhar pomposo do contrabaixo, o bater suave da bateria, a alegria do saxofone, a delicadeza das teclas do piano de Mário Laginha, a voz quente e apaixonada de Maria João, tudo conjugado resultaram num espectáculo melódico incomparável.
A meio do concerto, enquanto apresentava os músicos – aliás, artistas – Maria João sabiamente disse que o seu trabalho tinha uma “impressão digital”. Na verdade, o trabalho destes artistas não só tem “impressão digital” como tem um rosto. Um rosto enérgico e meigo; apaixonado e melancólico; vibrante e suave; doce e amargo, como um CHOCOLATE.
Dá gosto ouvir música portuguesa de qualidade. Dá gosto saber que temos artistas de grande gabarito. Dá gosto o sabor do “CHOCOLATE”!